PROJETO COMPARTILHAR

Coordenação: Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira

www.projetocompartilhar.org

 

 

Subsídios à Genealogia Paulistana (Regina Junqueira)

 

João Soares, homem da governança de São Paulo pelos anos 1580 e sua mulher Messia Rodrigues, falecida antes de 1631, tiveram ao menos os filhos:

1. Gaspar Soares, que em 1593 assinou com seu pai uma carta de perdão a Simplicio da Costa, que o agredira em Santos numa briga “de mancebos” (RGCSP, vol 7º, fls 9).

 

2. Izabel Soares, casada com Gabriel Pinheiro da Costa, inventariada em São Paulo em 1630 (SAESP 8º, neste site). Teve o filho único, João, nascido por 1618.

3. Baltazar Soares, que assinou por sua mãe na venda de umas casas a Gaspar Vaz (Datas 10º, neste site). Faleceu solteiro em 1632 deixando: (SAESP 8º, neste site)

3-1 Inácia Soares, em 1632 estava casada com Domingos de Edra, filho de Jorge de Edra e Paula Fernandes (SAESP 35º, neste site)

3-2 Maria, nascida por 1617.

 

4. Maria Soares, casada com Geraldo Correa Sardinha, explorador de minas na região dos Guarulhos de onde extraiu muito ouro. O local passou a ser conhecido por “minas do Geraldo” e mais tarde por “minas velhas do Geraldo”. Em meados do século XVIII a Câmara da Vila de São Paulo manda refazer o caminho pra este lugar (Atas). Até os dias de hoje é assim chamado um bairro do município de Guarulhos na Grande São Paulo, embora ninguém mais saiba quem foi o tal Geraldo.

Segundo a GP (SL 3º, 213, 3-9), Geraldo Correa Sardinha, falecido em 1668, era natural de Braga, filho de Francisco Correa natural do Porto e Athanazia Sardinha, da cidade de Braga.

Geraldo e Maria tiveram ao menos:

4-1 Mecia Soares, C.c. Estevão Sanches de Pontes, (SL 1º, 23, 4-1). Aos três filhos arrolados na GP, acrescente-se:

- Maria de Jesus, filha de Estevão conforme o inventário de Estácia da Veiga

- Frei José do Espírito Santo, procurador do pai.

- Antonia Soares, filha de Estevão e neta de Maria Soares, que recebeu umas jóias da avó, origem da contenda abaixo.

4-2 Geraldo Soares Correa, C.c. Estacia da Veiga (SL 3º, 217, 2-8) falecida em 1674 (SAESP 19º, neste site)

4-3 Francisco Correa Sardinha, em 1630 estava casado, conforme se vê no inventário de sua tia Izabel Soares. (SL  8º, 277, 2-4) Tomé Portes del Rei, C.c. Juliana de Oliveira, fª de Francisco Correa de Oliveira e Angela da Motta, n.p de Francisco Correa e Maria de Oliveira, por este bisneta de Geraldo Correa e Maria Soares)

4-4 Izabel Soares, segunda mulher de João Pedroso Xavier (SL 7º 147, 1-2), onde não está a filiação de Izabel.)

4-5 Na dúvida: Pedro Correa Soares, que dividiu chãos com Geraldo Correa Soares.(Comparar com Pedro Correa Soares, pai de Maria Soares em SL 7º, 481, 2-7)

 

( Américo de Moura, na dúvida, coloca como possível filho de João Soares a Luiz Soares, casado em S.Paulo depois de 1614 com Izabel Cubas, filha de Gaspar Cubas e Izabel Sobrinha).

 

MARIA SOARES

Petição e Processo

 

Vol 18, fls 261

Data: 15-12-1672

Juiz: Diogo Ferreira

Local: Vila de São Paulo

Suplicante: Francisco Correa de Oliveira

 

Francisco Correa e Geraldo Correa, o moço, que por morte de sua avó Maria Soares lhes ficou de herança seis peças e assim mais uma gargantilha de ouro e um corte de manto de tafetá, e porquanto cinco peças com o mais sobredito estão em poder de Estevão Sanches de Pontes e o restante tem Joseph Simões de Alvim e porque ora os suplicantes querem cobrar a herança e sendo requeridos por vezes os suplicantes o não quizeram pagar sem contenda de justiça

Pelo que

Pedem a Vossa Mercê lhes faça passar mandato ....

 

Estevão Sanches de Pontes é citado em sua fazenda e alega ser homem velho e doente, pelo que mandaria seu filho Estevão de Pontes como seu procurador.

 

Apareceu meses depois, alegando estar doente de ar e de paralisia e que não podia dar resposta sem que se acostassem os inventários de Geraldo Correa e Maria Soares, sua sogra.

 

Do testamento de Maria Soares foi reproduzido:

“dei antes de casar a minha neta Antonia Soares 19 côvados de tafetá e uma gargantilha de ouros, fora o dote”

E isto seria prova de fora “dádiva graciosa” de avó para neta.

Dizem também que consta do inventário a fls 11v que ele réu fora citado e não quis herdar, pelo que não teria que entrar com o dote dado a sua filha.

 

Seguem réplicas, tréplicas etc, em que as partes alegam os seus direitos.

 

À pag. 274, respondendo às alegações do réu Estevão Sanches de Pontes, dizem os autores:

“Embrulhadas se chamam verdadeiramente as que este bom cristão fez nas demandas do defunto Pantaleão Pedroso seu sobrinho e as que fez à viúva sua mulher que vai por três anos que a tem enganada, e retida que não passa seu libelo da contrariedade, onde qualquer bom juízo ha de perder o juízo, porque tal não se viu em auto judicial e destas embrulhadas e enganos se alcançou 5 sentenças na ouvidoria geral, 4 em vida do defunto, e uma agora contra a mulher, e não se peja disto perseverando com maior excesso.”

 

Termo de oferecimento de Replica:

... apareceu o reverendo padre frei José do Espírito Santo, reverendo do Convento de Nossa Senhora do Carmo, como procurador de seu pai Estevão Sanches de Pontes....”

 

Vista aos autores

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As peças que os autores pedimos........... que o dito Estevão Sanches de seu poder as foi levando sem ordem nem licença do avô e avó dos Autores e se foi servindo delas e delas mandou ao sertão com seus filhos e agora de presente este ano em que estamos mandou um destes negros por nome Tomé com seu filho Pascoal de Pontes....

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E para tirarem destas dúvidas se veja com José Simões de Alvim genro do dito Estevão Sanches ....

Pag 282: Luiz Fernandes Francês aparece como procurador de Estevão Sanches. Até aqui seu procurador foi seu filho homônimo. O Juiz era então Salvador Cardoso de Almeida, que substituiu Diogo Ferreira.

Nota: aparentemente o juiz julgou a favor dos autores, porque por último aparece um requerimento destes pedindo que o juiz não desse atenção ao agravo mas desse execução á sentença.

 

Custas: 0$474 em 13-1-1674