PROJETO COMPARTILHAR
Coordenação: Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira
Jerônimo Gonçalves Leite
Bartyra Sette
Jerônimo Gonçalves Leite, nasceu por volta de 1765 na freguesia de Santa Rita da cidade do Rio de Janeiro, filho de João Gonçalves Leite e Teodora da Costa de Negreiros. Casou três vezes.
Primeira vez com Maria Madalena, com geração de seis filhos. Segunda vez com Laureana Gonçalves de Brito, falecida na Campanha-MG em 20-04-1814 com 32 anos, com quatro filhos.
Em 1815, com 50 anos de idade, requereu dispensa do impedimento de afinidade ilícita em 2º grau duplicado para se casar com Delfina Maria Claudina, batizada na capela de S. Gonçalo em 07-12-1783, filha de Antonio Ferreira Funchal e Maria do Rosário e Souza. É que Jerônimo teve “acessos criminosos” com duas primas irmãs de Delfina. Os oradores também precisaram de dispensa de impedimento “criminal” porque tiveram “comercio ilícito e adulterino” ainda em vida da mulher legitima de Jerônimo. Sem geração destas nupcias.
Processo Matrimonial - Campanha-MG - Livro Misto 1818
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Jeronimo Gonçalves Leite e Delfina Maria Claudina - 1815
22-01-1815 - Querem se casar Alf. Jeronimo Gonçalves Leite, n. da cidade do Rio de Janeiro, f.l. João Gonçalves Leite e D. Teodora da Costa Negreiros, viuvo que ficou de D. Laureana Glz Brito = com Delfina Maria Claudina de Jesus, f.l. Antonio Ferreira Funchal e D. Maria do Rosario e Souza, n/b na capela de S. Gonçalo.
Dizem os oradores Jeronimo Glz Leite, viuvo de D. Laurena Glz de Brito = e Delfina Maria Claudina de Jesus, f.l. de Maria do Rosario e Souza e seu marido, nts bts e moradores na freguesia da vila da Princesa da Campanha - Impedimento de afinidade ilicita em 2º grau duplicado em linha transversal e de crime de adulterio com promessa de casamento:
- que o orador teve acessos criminosos com Ana Joaquina da Silva e com Maria Jeronima Guimarães, ambas primas coirmãs da oradora - 2º grau de afinidade ilicita em linha transversal igual.
- q o orador, em vida de sua mulher, teve comercio ilicito e adulterino com a oradora a quem prometeu de casar-se depois da morte daquela - impedimento crime.
- q o orador tem nove filhos do primeiro matrimonio
Em o L. 6º de obitos a f 377 se acha o assento de teor seguinte: Aos 20-04-1814 falecendo com todos os sacramentos, de bexigas, de idade 32 anos, D. Laureana Gonçalves de Brito mulher do Alf. Jeronimo Gonçalves Leite morador no Barreto (...) foi sepultada dentro da capela de S. Gonçalo. o Vig. Jose de Souza Lima.
No Lº 4º de batizados a f. 86: Aos 07-12-1783 na capela de S. Gonçalo o Revdo Capelão Jose Goçalves bat. e pos os santos oleos a inocente Delfina, f.l. Antonio Ferreira Funchal e Maria do Rosario, padr.: Manoel Antonio Ferreira
Orador Alf. Jeronimo Gonçalves Leite, homem branco, natural da cidade do Rio de Janeiro, de idade de 50 anos q vive de seu engenho de cana, morador nesta freguesia; que tivera tratos ilicitos com Ana Joaquina e Maria Jeronima, primas co irmãs da oradora; que tivera, em vida de sua mulher, amizade e copula ilicita com a oradora e que não lhe prometera, em vida de sua mulher, casamento a oradora;
Oradora Delfina Maria Claudina, branca, natural desta capela de S. Gonçalo da vila da Campanha, de idade de 31 anos, f.l. Antonio Ferreira Funchal e Ana Maria do Rosario, q sempre morara nesta freguesia da Campanha, solteira. Que o orador tivera copula ilicita com Ana Joaquina e Maria Jeronema suas primas co-irmãs. Que o orador em vida de sua mulher tivera tratos ilicitos com ela oradora.
Testemunhas:
- Antonio Ozorio Rabello (...) que os oradores Jeronimo Gonçalves Leite e Delfina Maria Claudina eram os proprios; que o orador tem nove filhos da primeira mulher e a maior parte são menores, (aa) Antonio Ozorio Rabello.
- Alf. João Pereira Lima, casado, n. da freg. do Inficcionado deste bispado, de idade de 32 anos, q vive de seu negocio, aos costumes disse nada.
- Euzebio Luiz da Silva, homem branco, solteiro, n. freg. S. Salvador Arc. Braga, de idade 40 anos q vive de seu negocio
Jerônimo fez seu testamento na Vila da Campanha da Princesa em 08-08-1834 e faleceu aos 31-03-1839.
CPA02, Lv. 15º de Testamentos - Campanha da Princesa 1837-1838;
Registro do testamento com que faleceu Jeronimo Glz Leite pai, aos 31-03-1839 de quem é testamenteiro o Tenente Jose Vicente Valladão, morador nesta vila.
Eu, Jeronimo Gonçalves Leite, f.l. de Joam Gonçalves Leite e D. Theodora da Costa Negreiros, já falecidos, n. da freguesia de Santa Rita da Corte do Rio de Janeiro e morador nesta da Campanha.
Fui cc. Maria Magdalena de quem tive seis filhos a saber: João = Jeronimo= Joaquim= Bernardino = Manoel = Jose = de quem existem filhos e a todos estes entreguei suas legitimas na forma determinada pelo respectivo inventário que se acha no Cartório de Órfãos desta vila, estando somente a restar aos filhos de Jose quatro mil réis mais ou menos que meu testamenteiro pagara aos mesmos meus netos, filhos de Jose.
Casei-me segunda vez com D. Lauriana Gonçalves de Brito de quem tive quatro filhos a saber: Maria = Francisco = Luciano que faleceu ainda em vida da dita minha mulher = e Luciana que faleceu depos do falecimento da mesma, e por isso no respectivo inventário se lhe deu pagamento da sua legitima da quantia de quinhentos e tantos mil réis aos quais, na forma da Lei, tem direito os dois meus filhos da segunda mulher, e por isso se lhes pagara a conta do que lhes devo, estando os ditos dois herdeiros pagos de toda a legitima que lhes tocou no respectivo inventário.
Presentemente sou casado com D. Delfina Maria Claudina da qual não tenho filho até o presente.
Declaro que para casar meu filho Jeronimo com minha enteada Mariana, tratei com minha mulher D. Delfina fazer avaliar um casal de escravos e dar-lhe em dote o que tudo consta do papel que lhe passamos: sendo avaliado o casal de escravos em 300$000 réis a qual quantia para não lezar aos mais herdeiros sairão da meação da dita minha mulher; e por isso deve vir ao monte dos meus bens, para na partilha ser atendida na forma em que doamos.
Comprei a meu cunhado Amaro Gonçalves de Brito a parte de terras que ao mesmo tocou na fazenda do Saco do Carmo na Freguesia de S. Gonçalo pela quantia de 4 contos e cincoenta mil réis.
Testamenteiros: 1º Tenente Jose Vicente Valladam, 2º Capitão Manoel Luiz de Souza, 3º Capitão Domingos Rodrigues da Fonseca.
Da minha terça disponho na forma seguinte: deixo de esmola ao menino Antonio, que se acha em minha casa, 100$000 réis; deixo a minha mulher D. Delfina Maria toda a prata que se achar em casa na ocasião do meu falecimento; e todo o remanescente da minha terça deixo aos meus seis filhos do primeiro matrimonio repartido em igualdade por todos os seis, - na falta de algum, a parte respectiva sera repartida por seus herdeiros.
Vila Campanha da Princesa 08-08-1834 Jeronimo Gonçalves Leite
Aprovação 14-08-1834
Abertura 31-03-1839
Aceitação 31-03-1839 Jose Vicente Valladam
Delfina Maria testou em 21-10-1852 e faleceu em 07-10-1869. Sem geração legítima reconheceu três filhos naturais e citou uma neta em seu testamento.
?-1 Umbelina casada com Inácio José de Alvarenga: “dei, com papel passado, a minha neta e afilhada Umbelina, cc. Ignacio Jose de Alvarenga”
I- Dr. Tristão Antonio de Alvarenga, testamenteiro materno. No oratório do Alferes João Cândido da Costa na aplicação de S. Tomé das Letras, aos 24-01-1834 casou com Mariana Balduina da Costa.
B7: - casamentos - Igreja Nossa Senhora da Conceição (Carrancas, Minas Gerais) aos 24 de J.º de 1834 no oratorio do Alf. João Candido da Costa aplicação de S. Tome das Letras, Dr. Tristão Antonio de Alvarenga e D. Mariana Balduina da Costa.
II- Mariana casou com Jerônimo Gonçalves Leite Filho, 2 abaixo.
III- Antonio. Pai de, pelo menos:
III-1 Delfina, legatária do remanescente da terça da avó paterna.
CPA 04, Testamentos - Campanha da Princesa 1854-1871
Registro do testamento com que faleceu D. Delfina Maria Claudina de Jesus, aos 07-10-1869 de quem foi testamenteiro o Dr. Tristão Antonio de Alvarenga.
Eu, Delfina Maria Claudina de Jesus, n. da freg. de S. Gonçalo deste termo, f.l. Antonio Ferreira Funchal e Maria do Rosario, ambos falecidos. Fui cc. o Alferes Jeronimo Gonçalves Leite, já falecido, de cujo consorcio não tivemos filhos nenhum.
Em tempo de solteira tive três filhos, quais: = Tristão Antonio de Alvarenga = D. Marianna, que foi cc. Jeronimo Gonçalves Leite Filho = e Antonio.
Testamenteiros: 1º meu filho Dr. Tristão Antonio de Alvarenga, 2º Jose da Cruz de Alvarengam 3º Antonio Justiniano Monteiro de Queiros.
Declaro que dei, com papel passado, a minha neta e afilhada Umbelina, cc. Ignacio Jose de Alvarenga, um crioulinho que sairá da minha terça.
Deixo para meu filho Tristão o crioulo Olimpio; para minha neta Delfina, filha de meu filho Antonio, o crioulo Agostinho; e todas estas dadivas sairão da minha terça.
O remanescente da minha terça deixo a minha neta Delfina, filha de meu filho Antonio.
Campanha 21-10-1852 D. Delfina Maria Claudina de Jesus
Aprovação 22-10-1852
Cumpra-se e registre-se Campanha 07-10-1869 - lavre-se o termo de Abertura Campanha 08-10-1869
Jerônimo Gonçalves Leite e sua primeira mulher Maria Madalena tiveram seis filhos:
1- João
2- Jerônimo Gonçalves Leite Filho já casado em 1834 com Mariana, filha de Delfina Maria Claudina. Jerônimo já era falecido em 21-10-1852 (testamento da sogra).
3- Joaquim
4- Bernardino
5- Manoel
6- José, já falecido em 1834, deixou filhos.
Jerônimo e Laureana tiveram quatro filhos:
7- Maria do Carmo Generosa casou com Domingos José Pereira. Maria do Carmo, viuva, testou em 21-01-1885 e faleceu em 13-08-1888.
CPA 05, Testamentos - Campanha da Princesa 1872-1897
Registro do testamento de D. Maria do Carmo Generosa, com que faleceu em 13-08-1888, testamenteiro Jeronymo Gonçalves Leite.
Eu, Maria do Carmo Generosa, n. da cidade de S. Gonçalo, f.l. do Alferes Jeronymo Gonçalves Leite e D. Lauriana, ambos já falecidos.
Sou viuva, fui casada com o falecido Domingos Jose Pereira de cujo consorcio tive os seguintes filhos: Maria Umbelina = Maximiano = Iria = Francisco Antonio = Jeronymo = Jose Antonio = Paulino = João Pedro = e Mariana, já falecida, por quem representam suas filhas Mariana e Maria, os quais todos são meus legitimos herdeiros.
Testamenteiros: 1º meu filho Jeronymo Gonçalves Leite, 2º Francisco Antonio Gonçalves; 3º Paulino Gonçalves Pereira.
Deduzidos de meus bens minhas dividas e disposições, do restante instituo herdeiro da terça parte deles a meu neto Emygdio, filho de Jeronymo, e a minha neta Maria Ignez, filha de Paulino em partes iguais, e das duas terças instituo herdeiros a meus filhos e netos acima declarados.
Cidade da Campanha 21-01-1885 Maria do Carmo Generoza
Aprovação 21-01-1885
Cumpra-se, registre-se: 16-08-1888
Abertura 16-08-1888
Aceitação 16-08-1888 Jeronymo Gonçalves Leite
Foram filhos do casal:
7-1 Maria Umbelina
7-2 Maximiano
7-3 Iria
7-4 Francisco Antonio
8-5 Jerônimo Gonçalves Leite, testamenteiro materno. Pai de, pelo menos:
8-5-1 Emidio, legatário da avó paterna.
7-6 José Antonio
7-7 Paulino. Pai de, pelo menos:
7-7-1 Maria Ignez, legatária da avó paterna.
7-8 João Pedro
7-9 Mariana, já falecida em 1885. Foi representada pelas filhas:
7-9-1 Mariana
7-9-2 Maria
8- Francisco
9- Luciano, faleceu antes da mãe.
10-Luciana, faleceu depois da mãe.